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Dezembro Laranja

Cuidados para evitar o Câncer de Pele
por , 18 de dezembro de 2017

“Se exponha, mas não se queime” é o tema da campanha deste ano do Dezembro Laranja, mês de prevenção do câncer de pele. A ação busca conscientizar as pessoas quanto aos perigos da exposição excessiva ao sol e os riscos do câncer de pele – um dos principais agravantes da exposição solar indevida e o tipo de tumor mais incidente na população. Para falar sobre o assunto, a médica dermatologista do Hospital Santa Casa, Laura da Fonseca, alerta sobre os cuidados que todos devem ter durante o ano todo, mas principalmente na estação mais quente: o verão.

 

O que é o câncer de pele

A dermatologista, Laura da Fonseca, explica que o câncer de pele é definido pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele e aparece normalmente em pacientes mais idosos. “São três principais tipos de câncer de pele, sendo que o mais prevalente é o não-melanoma que acomete pessoas, em geral, com idade acima dos 60 anos. Por sua vez, o melanoma é um tipo mais raro de câncer, mas que exige maiores cuidados, pois pode acometer pacientes mais jovens, desde a faixa dos 20 anos ou até mesmo crianças”, alerta.
No Brasil, esse é o tipo de tumor mais incidente na população – sendo que cerca de 25% dos cânceres do corpo humano são de epiderme. Contudo, segundo a médica, 80% dos cânceres não são melanoma.
O câncer de pele do tipo melanoma é considerado em alguns países como um problema de saúde pública, como na Austrália, por exemplo. “No Brasil, o melanoma é mais raro, pois a camada de ozônio é maior e a radiação mais baixa, exceto em algumas regiões como a Amazônia. Desta forma, o alerta é quando acomete pessoas mais jovens”, explica a médica.

 

Causas – Fatores de risco

A exposição cumulativa aos raios ultravioletas, sem a proteção adequada, é o principal fator de risco, principalmente se o paciente pertence aos tipos de fototipo mais vulneráveis ao sol. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a Classificação de Fitzpatrick é a mais famosa e divide os fototipos em seis:
• Pele branca – sempre queima – nunca bronzeia – muito sensível ao sol;
• Pele branca – sempre queima – bronzeia muito pouco – sensível ao sol;
• Pele morena clara – queima (moderadamente) – bronzeia (moderadamente) – sensibilidade normal ao sol;
• Pele morena moderada – queima (pouco) – sempre bronzeia – sensibilidade normal ao Sol;
• Pele morena escura – queima (raramente) – sempre bronzeia – pouco sensível ao sol;
• Pele negra – nunca queima – totalmente pigmentada – insensível ao sol.
A dermatologista explica que as pessoas com maior risco são aquelas com fototipo 1 ou 2, que têm maior sensibilidade ao sol e se expõem sem proteção. “A definição do fototipo é feita sob avaliação médica, pois ao contrário do que a maioria acredita, não significa que a pessoa de cabelo claro e pele clara é fototipo 1 ou 2. Isso vai depender de como ela bronzeia. Por exemplo, o paciente pode ter cabelo e olhos escuros, mas fica com a pele vermelha 24 horas depois de exposição ao sol e posteriormente começa a descascar, pode ter fototipo 1 ou 2 – e isso é um dos principais agravantes”, alerta.
Além disso, pessoas com histórico de doença na família, imunossuprimidas ou que fizeram transplantes apresentam maior risco. “Isso porque o câncer de pele é uma célula estranha que está no organismo, quando estamos imunocompetentes, nosso corpo reconhece a célula do câncer de pele e ataca-o, enquanto que os pacientes imunossuprimidos têm dificuldade de identificá-lo e combatê-lo”, explica.

 

Sintomas

Os sintomas do câncer de pele, embora aparentes, acontecem de forma sútil. “É possível ficar alerta à presença do câncer de pele se identificar lesões estranhas, pintas novas, ou até mesmo alteração na evolução da pinta, como crescimento, dor e sangramento. “Se observar mudanças como essas, o paciente deve procurar o médico dermatologista ou cirurgião plástico de imediato”, orienta.
Dra. Laura explica ainda que as manchas que surgem na pele idosa por conta da exposição cumulativa ao sol não são sintomas do câncer de pele. “Porém, há grandes possibilidades dessa pessoa desenvolver um câncer por conta da exposição indevida ao longo dos anos”, completa.

 

Prevenção

A prevenção do câncer de pele está relacionada a vários fatores, mas principalmente ao uso adequado do protetor solar. “Isto é, uso diário e com fator de proteção suficiente para proteger a pele dos danos do sol. E quem pensa que a ida à praia somente uma vez ao ano, apenas nas férias, não traz danos, se engana. Já foi comprovado que o câncer de pele mais comum está relacionado à exposição recreacional, aquela que não é cumulativa, mas intermitente. É essa queimadura anual que se torna fator de risco quando a pessoa chega aos 60 anos”, alerta.
Por isso, a dermatologista recomenda que visitar o médico especialista anualmente é muito importante. “A frequência da visita ao médico irá variar conforme a necessidade e idade do paciente. Em geral, uma vez ao ano é suficiente, mas isso será definido na consulta preventiva, quando o médico descobre qual o fototipo de pele e quais cuidados o paciente necessita”, explica.
Vale ressaltar que a maioria dos cânceres de pele têm a ver com a exposição cumulativa de radiação ultravioleta, com exceção do melanoma. Por isso, nas atividades recreacionais é importante:
– Evitar exposição nos horários de pico da radiação ultravioleta (entre 10h e 16h);
– Optar por roupas com proteção UV;
– Usar chapéu com aba larga, que proteja até pelo menos o nariz;
– Óculos escuros;
– Ficar protegido à sobra de barraca, guarda-sol etc.
– Usar protetor solar em todo o corpo, não apenas no rosto;
– Optar por cremes com, no mínimo, fator de proteção solar (FPS) 30, conforme o fototipo e o tempo de exposição solar.

 

Tratamento

O tratamento do câncer de pele é simples. “A primeira linha de tratamento é sempre a cirurgia. O carcinoma basocelular é um tumor muito indolente e raramente causa metástase, pois tem uma dificuldade de invasão. A investigação e tratamento são rápidos: retirar o tumor, fazer avaliação histológica e, se curado, o paciente está liberado”, completa.
O outro tipo de câncer de pele é o carcinomaespilocelular, que pode causar metástase, por isso sua identificação precisa ser precoce. “Já para o melanoma, a conduta também é cirúrgica, mas a lesão deve ser retirada em 48 horas; lembrando que a incidência desse tipo de câncer é menor”, ressalta.

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