Sobre

Museu da História da Medicina do Paraná

Há mais de um século, homens e mulheres deram início a uma longa jornada de pesquisa, ensino, cuidado e inovação, na missão de curar e salvar vidas.

Juntos, escreveram a história da medicina do Paraná. Muita dessa história foi concebida no Hospital da Santa Casa de Curitiba, edifício histórico fundado em 1880 e que perdura como hospital até hoje.

Para guardar essa memória, foi exigida uma grande intervenção de preservação e restauro, que possibilitou em 2015 a reinauguração do edifício após 5 anos de restauro em um projeto de 5 milhões de reais através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Diversas etapas foram cumpridas até que o prédio pudesse ter sua nova função inaugurada, tornando-se então parte dos conjuntos culturais de Curitiba. As intervenções de restauro deixaram visíveis as marcas do tempo através de janelas, cuidadosamente expostas, desvelando antigos momentos vividos pela estrutura e seus ocupantes do passado.

Agora, reconectado em suas dimensões temporais, propõe uma nova função ao espaço: ser cultural enquanto resiste profissionalmente, na forma de um moderno hospital em franca atividade.

Enfim duas grandes instituições se unem para resgatar e eternizar o legado deixado por esses pioneiros. E assim nasce o Museu da História da Medicina do Paraná, fruto da parceria entre a Santa Casa de Curitiba e a Associação Médica do Paraná. Além dessa parceria, tiveram parte importante na criação desse espaço cultural a Sandoz e os Irmãos Passaúra.

O novo espaço cultural pode então assumir o encargo de apresentar suas coleções e cumprir seu maior objetivo, tornar-se um bastião de preservação da memória da Santa Casa e da história da medicina paranaense.

O convite para conhecer os ambientes expositivos, sempre mediados por monitoria qualificada, interpola a arquitetura que guarda os sentidos dos objetos dispostos em ambientação que conferem maior dimensão ao conjunto.

O público transita em uma linha tênue entre o passado e o presente, refletindo sobre a medicina e o papel da Santa Casa através dos anos.

A Santa Casa construiu uma grande imagem e hoje tem um imenso significado não apenas para médicos, acadêmicos e pacientes, mas também para toda a comunidade paranaense.

Trajetória da medicina

1835
1842
1843
1846
1854
1857
1873
1880
1886
1892
1896
1901
1903
1912
1914
1916
1919
1931
1933

Primeira Santa Casa do Paraná

O Comendador Manoel Francisco Correia Júnior (Correia Moço), pai do Barão do Serro Azul, foi o fundador, em 9 de outubro de 1831, da “Sociedade Patriótica dos Defensores da Independência e Liberdade Constitucional”. Ele mesmo, em sessão de 26 de julho de 1835, propôs que essa sociedade fosse convertida em Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá.

A proposta foi aprovada e o Comendador Correia Júnior foi eleito seu primeiro Provedor, que também instalou na rua da Ordem, um hospital em 1836. Com o auxílio da Maçonaria foi construído o primeiro Hospital da Santa Casa, concluído em 1841.
Nos últimos anos do século XIX, já sob regime republicano, a representação política de Paranaguá no governo do Estado facilitou a obtenção de recursos para a construção de um novo hospital. Colaboraram o vice-presidente Santos Andrade, o secretário de finanças Coronel Luiz Xavier e o engenheiro Cândido Ferreira de Abreu, que supervisionou a obra.

A inauguração do novo hospital aconteceu em 3 de junho de 1900. Durante a inauguração a provedoria era do prefeito João Guilherme Guimarães e o diretor do Hospital era o Dr. Petit Carneiro.

Primeiro médico de Curitiba

No ano de 1842, Curitiba alcançou o título de cidade, com isso, surgiu a necessidade de se ter um médico devidamente capacitado para atender a população.

O Dr. Joaquim Ignacio da Silveira Mota nasceu em 1818, na Bahia. Mudou-se para a Alemanha para estudar a medicina na Universidade de Giessem. Logo após sua formatura, migrou para a província do Paraná, então comarca de São Paulo para ser o primeiro médico graduado, atuando na cidade de Curitiba.

Além de médico, Joaquim Ignacio da Silveira Mota atuou em alguns cargos de esfera pública, como: Vice-presidente da província e o cargo de Polícia de Curitiba. Em 1891, acabou falecendo.

Primeiro médico paranaense

O primeiro médico paranaense chamava-se José Francisco Correa, natural da cidade de Vila do Príncipe (atual cidade da Lapa), começou sua vida erudita nos escritos rudimentares em sua Vila natal. Posteriormente mudou-se para Curitiba para continuar seus estudos nas humanidades.

Em 1837, matriculou-se no curso de Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde concluiu seus estudos e saiu com o título de doutor defendendo sua tese “Algumas proposições sobre as febres intermitentes por intoxicação paluduosa”. Posteriormente voltou à sua terra natal.

O Dr. Correa era um homem abastado e caridoso. Em raríssimas exceções cobrava por suas consultas médias, tendo atuado de forma mais intensa nas cidades de: Castro; Curitiba; e, por fim, Ponta Grossa.

Dr. Faivre

Jean Maurice Faivre se formou em medicina pela Faculdade de Paris e chegou ao Rio de Janeiro em 1826.

Em 1829 fundou a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, junto com Joaquim Cândido Soares de Meirelles, José Francisco Xavier Sigaud e Luiz Vicente de Simoni.

A sociedade passou a ser chamada de Academia Nacional de Medicina em 1889.

Dr. Murici

Baiano, natural de Salvador, José Candido da Silva Murici começou sua carreira como médico em 1852, e em 1853 conseguiu uma patente no Corpo de Saúde do Exército. Em 08 de novembro de 1853 chegou a Curitiba como oficial médico, no ano seguinte, em 26 de abril de 1854 foi nomeado como Vacinador Provincial, pelo presidente da Província do Paraná. Cargo este que equivale a Secretario Estadual de Saúde.

Enquanto exercia seu cargo de médico, Murici também se envolveu com a Irmandade da Santa Casa de Curitiba, tornando-se o primeiro médico da Santa Casa e por seguinte alcançou o cargo de provedor. Durante seu mandato idealizou e iniciou a construção do Hospital da Santa Casa e arrecadou fundos para a conclusão de seu empreendimento. Participou também da política regional atuando no cargo de deputado provincial por três mandatos. Morrendo em 1879, um ano antes da inauguração do prédio, nunca pode ver seu maior projeto se concretizar.

Primeiro farmacêutico de Curitiba

Dr Augusto Stellfeld

Natural do Ducado de Braunschweig, Stellfeld formou-se em Farmácia em 1848. Chegou ao Brasil em 1851, passando a residir na Colônia São Francisco, em Santa Catariana. Anos mais tarde, passou a morar em Paranaguá.

Como não possuía o direito de exercer sua profissão no Brasil, submeteu-se ao teste de reavaliação na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro sendo aprovado posteriormente.

De volta à Província do Paraná, Stellfeld reestruturou a única botica que havia na cidade de Curitiba, na antiga sede da Santa Casa, posteriormente abriu sua botica particular na Rua Direita (atual Rua 13 de Maio).

Primeiro Médico Paranaguense

Leocadio José Corrêa nasceu em Paranaguá em 1848. Em 1868 foi estudar medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, graduando-se em 1873. Voltou para Paranaguá e trabalhou na Santa Casa de Misericórdia, o primeiro hospital fundado antes da emancipação da província.

Em 1875 foi nomeado Inspetor Sanitário dos Portos de Paranaguá e de Antonina e passou a ter importante papel nas ações de saúde pública nas epidemias como a varíola, a cólera e a febre amarela.

Os laços familiares com o primo e cunhado, Barão do Serro Azul, e com o tio, Eufrásio Correia, então presidente da Assembleia Provincial, tornaram inevitável que Leocadio se envolvesse na política. Elegeu-se deputado provincial nos mandatos de 1876/77 e de 1878/79 e em seguida vereador em Paranaguá. Morreu, em Paranaguá, em 18 de maio de 1886.

Primeira Santa Casa de Curitiba

No ano de 1842, após a elevação de Curitiba à categoria de Cidade, a necessidade de serviços profissionais de um médico profissional era grande.

Fundada em 1880 como “Fraternidade Coritibana”, o hospital passou a se chamar “Irmandade de Misericórdia da Cidade de Curityba” e ajudar indigentes, pobres e desvalidos. Teve a presença de Dom Pedro II e da Imperatriz Thereza Cristina, além de vários outros excelentíssimos da época.

Além de hospital, a Santa Casa contava com um necrotério, onde eram realizadas as autópsias policiais.

O inspetor de higiene do Paraná

Natural da Bahia, Antônio Carlos Pires de Carvalho e Albuquerque formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1865. No mesmo ano, foi nomeado como 2º Cirurgião Tenente do Corpo de Saúde do Exército.

Em maio de 1879, já como capitão, foi elevado a Capitão-mor do Exército do Paraná, substituindo seu sogro, o Dr. Murici que faleceu no dia 20 de maio. Além disso, Pires de Albuquerque também sucedeu Dr. Murici como provedor da Santa Casa de Curitiba e por muito tempo foi o único médico de ofício na cidade de Curitiba durante os anos de 1879 a 1887.

Foi também no ano de 1886 que Antônio Carlos Pires de Carvalho e Albuquerque foi nomeado Inspetor de Higiene do Paraná. A inspetoria foi criada para fiscalizar o exercício legal da medicina e fiscalizar também a questão de higiene das cidades na Província do Paraná.

O médico da polícia

As autópsias eram realizadas no necrotério da Santa Casa, no prédio onde hoje está localizado o Laboratório de Análises Clínicas. O Dr. Antônio Rodolpho Pereira de Lemos foi nomeado para Médico da Polícia em 1892.

Em 1899 teve a abertura do primeiro livro de Laudos o que deu início ao Gabinete Médico Legal, registrando o primeiro exame de corpo delito.

A partir de 1929 o Serviço Médico Legal recebeu a denominação de Departamento Médico legal e em 1962 conforme a Lei nº 4615 foi criada o Instituto Médico Legal.

As primeiras enfermeiras, as Irmãs de São José de Chambéry

Vindas da França em 1896, as Irmãs de São José assinaram um contrato com a Santa Casa para prestar serviços de enfermagem e hospedaria no hospital de Caridade.

Anualmente o trabalho das irmãs era elogiado nos relatórios da Santa Casa e, por mais de 100 anos, as Irmãs de São José de Chambéry permaneceram trabalhando no hospital.

A primeira revista médica

Em 1901 foi publicada a primeira revista médica do Paraná, a “Gazeta Médica do Paraná. Os médicos Victor do Amaral, João Evangelista Espíndola e Reinaldo Machado eram redatores da revista.

O trabalho era ilustrado com gravuras de antes e depois dos tratamentos. Visto como uma oportunidade, os farmacêuticos começaram a anunciar os seus estabelecimentos e suas especialidades nesta revista.

Em 1904, a revista mudou de nome para “Gazeta Médica” e passou a ser órgão da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Paraná.

O primeiro hospital psiquiátrico

Construído pelo provedor Monsenhor Alberto José Gonçalves, em 25 de março de 1903, foi inaugurado o Hospício Nossa Senhora da Luz, tendo como diretor o Dr. José Guilherme de Loyola. Os serviços de enfermagem eram dirigidos pelas Irmãs de Caridade da
Congregação de São José.

Em setembro de 1904, o Dr. Antonio Rodolpho de Pereira de Lemos, que já era o diretor do Hospital de Caridade foi nomeado para diretor, e único médico, do Hospício N. S. da Luz, no lugar do Dr. Loyola, que mudara-se para Antonina.

Em 1905 o Governo do Estado propôs à Irmandade da Santa Casa, a compra do prédio do hospício para nele instalar a Penitenciária do Estado, prometendo indenizar a Irmandade com a importância necessária para a construção do novo hospício. Foi doado outro terreno de 4 alqueires, onde funcionava o Hipódromo Paranaense, onde foi construído, pelo infatigável Monsenhor Alberto Gonçalves, o novo hospício com três pavilhões isolados que foi inaugurado em 7 de julho de 1907.

O primeiro reitor

Victor Ferreira do Amaral e Silva se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1884 e recebeu o grau de doutor das mãos do imperador Dom Pedro II.

Em 1897 foi nomeado médico legista da Polícia e trabalhava no necrotério da Santa Casa, no mesmo ano foi efetivado para o corpo clínico. O médico foi uma importante figura nas áreas social, médica e política, mas seu nome se destaca com o seu papel de fundador e primeiro reitor da Universidade do Paraná.

Victor do Amaral ficou como Diretor da Faculdade de Medicina até 1947 quando voltou a ser reitor da Universidade Federal.

A primeira escola de medicina

Em 1892, Francisco José da Rocha Pombo, idealizou uma Universidade. Fundada em dezembro de 1912, a universidade começou a funcionar no ano seguinte com os cursos de Farmácia, Direito, Engenharia Civil, Agronomia e Odontologia.

O curso de Medicina começou em 1914. Em 1918, a Universidade do Paraná foi extinta e transformada em diversas faculdades, pois, segundo a Lei Rivadavia, apenas cidades com mais de 200.000 habitantes poderiam sediar Universidades e, à época, Curitiba contava com cerca de 50.000 moradores.

Dr. Nilo Cairo

Nilo Cairo da Silva recebeu o grau de doutor na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1903. Em Curitiba, Nilo Cairo era renomado, pois foi um dos fundadores da “Revista Homeopática do Paraná”.

Também ajudou a fundar a Universidade do Paraná, além de ter sido seu Secretário Geral. Atuou como professor das matérias de fisiologia, patologia geral e anatomia patológica dos cursos de medicina e odontologia. Como também era bacharel em ciências físicas e matemáticas, foi professor do curso de engenharia dando aulas de geologia e mineralogia.

Com a carência de livros das matérias que lecionava, publicou, em 1916, “Elementos de Fisiologia” e “Elementos de Patologia Geral”.

Dra. Maria Falce

Maria Falce de Macedo surpreendeu por ser a única mulher matriculada na primeira turma da Faculdade de Medicina do Paraná, em 1914, tornando-se também a primeira mulher formada em medicina no Paraná.

Em 1923, fez o curso de bacteriologia e zoologia médica no Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro e, em 1926, estagiou na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte se aperfeiçoando em bacteriologia. Na volta para Curitiba passou a chefiar o Laboratório de Análise Clínicas da Faculdade na Santa Casa e montou outro particular com o marido.

Em 1929, Falce de Macedo virou cátedra de química orgânica e biológica da Faculdade de Medicina.

A médica e professora implantou um moderno programa de ensino e a disciplina de química fisiológica passou a se chamar bioquímica.

Revista Médica do Paraná

A “Revista Médica do Paraná” foi inicialmente órgão da Sociedade Médica dos Hospitais do Paraná. Fundada em 1931, com seu primeiro número publicado em dezembro.

O fundador e diretor da revista foi Milton de Macedo Munhoz e a Comissão de Redação: Mario Braga de Abreu, José Loureiro Fernandes e Cezar Pernetta. Em plena recessão dos anos 30, uma instituição manter um órgão de divulgação científica e social era extremamente difícil.

A maior parte dos recursos saiam do bolso do Dr. Milton Munhoz. Em 1942, foi necessário parar a publicação por causa da guerra, mas pouco tempo depois, a revista voltaria.

Associação Médica do Paraná

Com a criação da Universidade do Paraná a classe passou a apresentar novo dinamismo, principalmente com o aumento do número de profissionais atuantes na cidade.

Em 1933, a legislação trabalhista estabeleceu que apenas uma organização seria reconhecida como órgão de classe no estado. As três entidades, a “Sociedade Médica do Paraná”, a “Sociedade Médica dos Hospitais do Paraná” e o “Sindicato Médico”, em sessão no salão nobre da Santa Casa, reuniram-se em assembleia conjunta para fundar a Associação Médica do Paraná.

Logo em seguida foi eleita a primeira diretoria, sendo o presidente Milton de Macedo Munhoz. A Revista Médica do Paraná passou a ser editado pela Associação Médica do Paraná, o que ocorre até hoje.

Cuidado, Ciência e Ensino - A tríade que simboliza um trabalho que perpetua ao longo da história

Ter a oportunidade de viajar ao passado e resgatar as memórias da Santa Casa de Curitiba é um grande prestígio proporcionado pelo Museu da História da Medicina do Paraná.